441 - Como há de Ser?

 


[1]
Como há de ser, conclusa a longa lida,
Finda a peleja da paixão mortal,
Quando, avistando além da escura vida
Os átrios da Mansão celestial;
Dos pés varrida a última poeira,
Do rosto enxuto seu final suor,
Deixarmos esta cena passageira,
Entrando o santo lar de eterno amor?

[2]
Como há de ser, por Deus enfim banhados
Dos raios da divina e excelsa luz,
Oh! Alegria! Isentos de pecados,
Podermos ver a face de Jesus;
E pela vez primeira em harmonia
Em meio aos santos cidadãos dos céus,
Unir-nos lá, sem medo, à companhia
Que cerca o trono do supremo Deus?

[3]
Como há de ser, com sentimento ouvindo
O coro dos remidos do Senhor,
As áureas harpas sempre retinindo
Louvores ao Cordeiro, ao Salvador;
E quando pelos átrios espaçosos
Entoarmos gratos salmos, sem cessar,
E, como incenso, os hinos fervorosos
Subirem junto do celeste altar

[4]
Como há de ser, ouvir o Juiz chamar-nos:
“Benditos, vinde, para os céus entrai”,
E o Salvador dignar-se revelar-nos
A glória que partilha com o Pai
Ali não tem jamais a morte entrada,
Nem dor, nem pranto estorvam o prazer,
A vista não se ofusca, e, em volta, nada
Pode a ditosa festa entristecer.

[5]
Como há de ser? Oh! Nunca foi pensado
Por mente ou coração humano aqui,
Que maravilhas Deus tem preparado
Para os que entrarem com triunfo ali!
Avante, irmãos, avante no caminho
Que nos conduz a gozo sem igual!
Se aqui nós temos um quinhão mesquinho,
Marchamos para a glória divinal!

Sarah Poulton Kalley

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